É inevitável a comparação com a história de Cora Coralina, a poetisa goiana publicada pela primeira vez aos 76 anos, mas que se tornou referência da poesia brasileira. A diferença é que Cora escrevia desde a adolescência e guardava tudo. No caso de Val Bernardino, ela descobriu o mundo da literatura em 2018, aos 46 anos, e em um ano sua vida deu uma guinada.
Valdineia Bernardino é membro correspondente nº 01 da ATL – Academia Teixeirense de Letras, empossada em 14 de março de 2019. Nascida em 23 de setembro de 1971, filha dos agricultores Jesonias Bernardino e Guilhermina Kaizer, jamais deixou o Córrego do Itá, onde ainda mora, no interior de Barra de São Francisco, na região Noroeste do Estado do Espírito Santo. Mas as redes sociais descortinaram-lhe o mundo da cultura literária, depois de um episódio que não sabe explicar direito como pode ter acontecido.
Fã do cantor romântico linharense Elias Wagner, a poetisa Val Bernardino foi a um show dele no interior de Barra de São Francisco e teve a ousadia de procura-lo. “Depois de conversarmos e ao me ouvir falar das músicas dele, o Elias me falou que eu tinha algo que eu mesma ainda não tinha descoberto; que eu tenho dom para fazer poemas de raiz. Voltei para casa com a cabeça quente e pensando: vou escrever um livro. E tudo aconteceu”.
E foi também pelas redes sociais que ela conheceu seu primeiro contato nesse novo universo: o jornalista Bruno Silva, Mucuri (BA), o que a levou até o jornalista Athylla Borborema, então vice-presidente da Academia Teixeirense de Letras. Pelas redes sociais, Val descobriu que Bruno, jornalista, estava entre os amigos de Elias Wagner. Com ousadia, mandou para Bruno um de seus poemas com o título “Sedução”. Bruno mandou para o escritor baiano Athylla Borborema, com mais de 30 livros publicados. Athylla mostrou para Almir Zarfeg, crítico de literatura e então presidente da ATL, que a convidou para ir a Teixeira de Freitas encontrá-lo.
“Mostrei o que tinha, o caderno de poemas, e o Zarfeg resolveu editar o livro, que publicamos pela editora PerSe. Mandei imprimir 50 exemplares para mim e os livros ficam lá no site deles, para qualquer um comprar”, explicou. Quando surgiu o edital da coletânea Declame para Drummond, Val Bernardino se inscreveu com “Carpie Diem” e foi selecionada, indo parar em Buenos Aires, na Argentina, para falar a respeito.
Surgindo o convite para ser acadêmica, Val precisou produzir mais um livro. “Sentei e em 40 dias escrevi meu livro de crônicas com 130 páginas. Ficou lindo”, disse. O livro é “O homem do suspensório preto”, título de uma de suas crônicas, feita em homenagem ao pai, já falecido.
Nº 02 – Ana Cristina Santos
Ana Cristina Santos é membro correspondente nº 02 da ATL – Academia Teixeirense de Letras. A autora de 48 anos, possui uma história envolvente e de relação com a literatura desde a sua adolescência a partir de 1986, quando saiu de Sergipe e foi morar na fazenda São Joaquim, município de Pedro Canário, no extremo norte capixaba, onde está radicada até hoje. Em 2002 lançou o livro “O Amor é mais Forte que a Morte” lançado pela Editora Viseu – Maringá/PR., que retrata a sua autobiografia de 180 páginas. Em fevereiro de 2021, já havia lançado o seu primeiro livro, intitulado “Sentimentos Meus”, uma obra literária de poesias que transborda sensações, sentimentos e pensamentos.
O seu novo livro narra a sua própria trajetória de vida cheia de percalços a partir do seu surgimento em sua terra natal, Itabaianinha, no extremo sul do estado de Sergipe. Se no primeiro livro Ana Cristina Santos endossam nossas palavras em seus versos, nos pegam pela sensibilidade do folclore brasileiro, que por meio da poesia valoriza a arte, a cultura, a literatura, o potencial dos municípios capixabas em um todo, neste seu novo livro, narrado com muita elegância, na primeira pessoa, pela própria autora, Ana Cristina Santos, volta a emocionar novos e antigos leitores, pois sua trajetória contada com minúcias, são os olhos da razão.
A escritora Ana Cristina Santos se radicou no Estado do Espírito Santo ainda muito jovem e em Pedro Canário escolheu para constituir família, viver, amar e promover a sua literatura. Ana Cristina Santos já esteve inserida em outros trabalhos publicados, a exemplo das antologias, “Nós Poesias para Tardes Ensolaradas” em 2019 e “Poesias para Apaixonados” em 2020”, publicadas pela Editora LURA, de São Paulo, além de já ter ganhado importantes prêmios brasileiros de literatura. Em 8 de abril de 2022, Ana Cristina Santos tomou posse como imortal da ATL – Academia Teixeirense de Letras, como membra correspondente.
Nº 03 – Juarez Ferreira Leite
O escritor Juarez Ferreira Leite é autor da obra Vereda do Meio, livro que se insere no universo da literatura brasileira contemporânea ao abordar experiências humanas marcadas pela sensibilidade, pela observação do cotidiano e pela reflexão sobre os caminhos da existência. Sua produção literária revela um olhar atento às vivências sociais e às transformações humanas, características que aproximam sua escrita de uma tradição narrativa voltada à memória, às relações pessoais e à construção simbólica dos espaços vividos.
Em Vereda do Meio, Juarez Ferreira Leite desenvolve uma narrativa que dialoga com temas existenciais e sociais, explorando conflitos interiores, trajetórias pessoais e processos de amadurecimento. A obra apresenta uma linguagem acessível, mas carregada de densidade poética, conduzindo o leitor por reflexões sobre escolhas, perdas e reencontros ao longo da vida. O título sugere justamente esse percurso intermediário — o caminho entre extremos — que simboliza a busca por equilíbrio e sentido diante das experiências humanas.
A escrita do autor destaca-se pelo caráter introspectivo e pela valorização da dimensão humana dos personagens, aproximando literatura e realidade. Seus textos demonstram preocupação com questões éticas e emocionais, evidenciando o poder da literatura como instrumento de interpretação do mundo e de diálogo com o leitor. Nesse sentido, sua produção se alinha à tradição literária que compreende a narrativa como espaço de reflexão e autoconhecimento.
Além da contribuição literária representada por Vereda do Meio, Juarez Ferreira Leite integra o conjunto de escritores que colaboram para o fortalecimento da cultura escrita regional e nacional, participando do movimento de valorização da literatura produzida fora dos grandes centros editoriais. Sua obra reforça a importância da palavra como meio de expressão artística e como registro das experiências humanas, consolidando seu nome entre autores dedicados à construção de uma literatura sensível e reflexiva.
Nº 04 – Mirany Andrade de Oliveira
Mirany Andrade de Oliveira é escritora e estudante, nascida em 22 de setembro de 2004, na cidade de Espinosa (MG), e criada no município de Urandi, no sudoeste da Bahia, onde reside atualmente. Desde cedo demonstrou interesse pela literatura e pelas manifestações culturais, acompanhando e admirando o trabalho desenvolvido pela Academia Teixeirense de Letras, instituição que reconhece como fundamental para o fortalecimento da produção intelectual regional e para a valorização da escrita no cenário cultural.
Seu contato mais próximo com o ambiente acadêmico-literário ocorreu por meio do escritor Haroldo Carvalho de Morais, seu conterrâneo e importante incentivador de sua trajetória. Inspirada por sua atuação e estímulo constante, Mirany Andrade passou a buscar maior aperfeiçoamento na escrita e participação em espaços culturais. Esse processo ganhou força com o reconhecimento recebido no Projeto Caça Talentos Literários, quando sua biografia foi apresentada em Sessão Solene da Academia Teixeirense de Letras, realizada em dezembro de 2025, marco que consolidou sua decisão de aprofundar o compromisso com a literatura.
Acadêmica dos cursos de Letras e História, Mirany dedica-se à produção de poemas, poesias e crônicas, encontrando-se atualmente em processo de escrita de seu primeiro romance. Entre seus trabalhos mais conhecidos destacam-se o poema “Urandi-Bahia” e o extenso poema em versos decassílabos “A Seca no Sertão”, obras que dialogam com a identidade cultural, a memória coletiva e a realidade social do sertão nordestino. Desde os doze anos de idade escreve poemas, tendo conquistado premiações em concursos literários escolares que contribuíram para o fortalecimento de sua vocação artística.
Além da produção escrita, mantém atuação ativa em ambientes digitais voltados à educação e à literatura, utilizando redes sociais para compartilhar reflexões, textos autorais e conteúdos educativos que incentivam a leitura e a escrita entre jovens e leitores em geral. Comprometida com o papel social da literatura, coloca-se à disposição para colaborar com projetos culturais e iniciativas que ampliem o acesso à arte e aproximem a palavra escrita da comunidade, reafirmando a literatura como instrumento de formação humana e transformação social.
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Cadeira 00
Sócio Fundador
Formado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula em 1988. Participação em congressos e seminários no Rio de Janeiro e São Paulo, atuando como ouvinte e palestrante. Professor convidado para palestras em cursos de MBA voltados para áreas de Saúde. Visitas técnicas a renomadas instituições de Saúde nos Estados Unidos e Europa, assim como aos principais hospitais do Brasil.