Caio Rodrigues dos Santos
O escritor e médico Caio Rodrigues dos Santos “Caio Rossan” construiu uma sólida formação acadêmica na área da saúde. Graduado inicialmente em Enfermagem, acumulou especializações em Gestão, Saúde Coletiva e Saúde da Família, antes de concluir o curso de Medicina pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em 2021 e o mestrado em 2024 UFSB. Além da atuação como médico, exerceu funções de gestão na saúde pública e também se destacou como docente no ensino superior. Paralelamente à carreira médica, consolidou-se como escritor no gênero de ficção criminal. É autor do romance “Marcados”, publicado pela primeira vez em 2020 e finalista do Prêmio Rubem Fonseca de Literatura em 2021, obra que chegou à terceira edição em 2024. Também é coautor de 5 antologias literárias e prepara o lançamento de seu segundo romance, “Ferro e Brasa”, previsto para a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo em 2026.
Biografia
Caio Rodrigues dos Santos, conhecido no meio literário pelo pseudônimo Caio Rossan, nasceu em 6 de setembro de 1988, na cidade de Jucuruçu, no extremo sul da Bahia, poucos dias antes da promulgação da Constituição Federal brasileira. Filho do agropecuarista e vereador Ailton Rodrigues Dias, popularmente conhecido de “Tim do Hospital”, e da educadora Josefina Gomes dos Santos Rodrigues, a “Professora Vanda”, cresceu em Jucuruçu, município que marcaria profundamente sua identidade humana e intelectual. Oriundo da escola pública, cursou o ensino fundamental na Escola Municipal Cecília Meirelles e o ensino médio na Escola Estadual Antônio Carlos Magalhães, período em que despertou o interesse definitivo pela literatura, influenciado pelo contato precoce com os livros e pela admiração pela poesia brasileira.
Antes de se tornar médico, Caio Rossan construiu sólida trajetória na área da saúde como enfermeiro, graduando-se em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Itamaraju em 2008. Ao longo dos anos, ampliou sua formação com especializações em Gestão de Pessoas, Gestão em Saúde, Saúde Coletiva, Saúde da Família e Enfermagem Obstétrica, demonstrando vocação para o cuidado coletivo e a organização dos serviços públicos. Em 2021, concluiu o curso de Medicina pela Universidade Federal do Sul da Bahia, consolidando uma trajetória acadêmica marcada pela interdisciplinaridade, que inclui ainda pós-graduações em Medicina da Família e Comunidade e Infectologia, além do mestrado em Saúde, Ambiente e Biodiversidade.
Sua atuação profissional sempre esteve ligada à dimensão social da medicina. Entre 2012 e 2014, exerceu a função de Coordenador da Atenção Básica, posteriormente atuando como professor do ensino superior em cursos da área da saúde entre 2015 e 2019. Em 2020, foi assessor técnico sanitarista na Policlínica Regional de Saúde de Teixeira de Freitas. Participou de grupos acadêmicos e de pesquisa, como a Liga Acadêmica de Medicina da Família e Comunidade e o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Saúde, destacando-se também nacionalmente ao receber, em 2013, premiação na Mostra Nacional de Experiências na Atenção Básica, em Brasília, com projeto voltado à educação permanente de agentes comunitários de saúde.
Paralelamente à carreira médica, desenvolveu intensa produção literária. O romance policial Marcados, publicado pela primeira vez em 2020 e reeditado nos anos seguintes, alcançou reconhecimento ao tornar-se finalista do Prêmio Rubem Fonseca de Literatura em 2021. Autor também do romance Ferro e Brasa, com lançamento previsto para a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Caio Rossan participa ainda de diversas antologias literárias. Sua escrita é frequentemente descrita como ágil, visual e cinematográfica, marcada por ritmo intenso e construção atmosférica que aproxima o leitor da experiência narrativa, transitando entre o romance policial, o suspense psicológico e o terror contemporâneo.
A literatura surgiu cedo em sua vida. Ainda criança, encontrou na obra de Castro Alves uma identificação imediata com o olhar inquieto diante do mundo. Entre os 11 e os 15 anos escreveu seu primeiro livro, experiência decisiva que revelou sua inclinação para histórias densas e reflexivas. Influenciado por autores diversos da tradição brasileira, Caio Rossan desenvolveu uma escrita que investiga conflitos humanos, relações de poder e as marcas invisíveis que atravessam indivíduos e comunidades, aproximando sua experiência médica da observação sensível da condição humana.
O reconhecimento institucional de sua trajetória ocorreu com a eleição para a Cadeira nº 29 da Academia Teixeirense de Letras, cujo patrono é o jurista Antônio Garcia de Medeiros Netto, anteriormente ocupada pelo escritor e professor Valci Vieira. Sua posse simboliza não apenas a ascensão de um jovem intelectual do interior, mas também a valorização da produção cultural fora dos grandes centros. Médico, pesquisador e escritor, Caio Rossan constrói uma trajetória em que ciência e literatura caminham juntas: se a medicina lhe ensinou a auscultar corpos e realidades sociais, a escrita tornou-se o instrumento por meio do qual interpreta silêncios, preserva memórias e amplia o alcance da cultura brasileira.