Godefrida Cornélia Johanna Maria Trimbos

22 de outubro de 2022

Godefrida Cornélia Johanna Maria Trimbos, carinhosamente conhecida como Profª Suely Trimbos, nasceu em 13 de novembro de 1924, na Holanda, em um contexto marcado por profundas transformações sociais e culturais na Europa. Filha de Maria Johanna Lukkenaer e Johannes Honoré Trimbos, desde cedo demonstrou inclinação para o conhecimento, a sensibilidade humana e o compromisso com o próximo. Sua formação intelectual foi acompanhada por um forte senso de responsabilidade social e espiritual. Educadora por vocação, construiu uma visão de mundo baseada na justiça, na solidariedade e na partilha do saber. Ainda em sua terra natal, amadureceu o desejo de dedicar a vida à transformação das pessoas por meio da educação. Esse chamado interior definiria os rumos de toda a sua existência.

 

Em 1976, movida por sua fé e por um profundo senso de missão, Suely Trimbos deixou a Holanda e atravessou o oceano rumo ao Brasil. Chegou ao extremo sul da Bahia, desembarcando inicialmente em Medeiros Neto, acompanhada de mais três amigas. Mesmo sem dominar plenamente a língua portuguesa, não se deixou intimidar pelas barreiras culturais e linguísticas. Logo passou a lecionar no Ginásio João XXIII, assumindo disciplinas como Física, Química, Inglês e Biologia. Sua postura firme, aliada à doçura no trato humano, conquistou alunos e colegas. A educação, para ela, era instrumento de libertação e consciência crítica. Cada sala de aula tornava-se espaço de diálogo e transformação.

 

A vivência cotidiana com a realidade social brasileira despertou em Suely Trimbos uma ação ainda mais profunda junto às comunidades. Sensível às necessidades das famílias e das crianças, idealizou, juntamente com amigos, a Instituição MOAC – Movimento Auxílio Cristão. O projeto tinha como principal objetivo oferecer creches e apoio educacional a crianças da pré-escola, espalhadas pelos principais bairros da cidade. A iniciativa rapidamente se tornou referência em cuidado, acolhimento e formação humana. Mais do que assistência, o MOAC promovia dignidade e esperança. Suely acreditava que investir na infância era semear um futuro mais justo. Sua liderança comunitária consolidou-se nesse período.

 

Além de Medeiros Neto, Suely Trimbos também desenvolveu relevantes trabalhos educacionais no município de Itanhém. Posteriormente, fixou residência definitiva em Teixeira de Freitas, cidade que se tornaria o centro de sua atuação social e pedagógica. Por muitos anos, atuou como professora no Instituto Francisco de Assis, onde deixou marcas profundas em gerações de estudantes. Paralelamente, colaborou intensamente com as pastorais da Igreja Católica, unindo fé e ação social. Sua presença era sinônimo de compromisso, escuta e serviço. Não ocupava espaços por vaidade, mas por necessidade coletiva. Sua vida era, em si, um testemunho de doação.

 

Poliglota e intelectual inquieta, Profª Suely Trimbos colocou seus conhecimentos linguísticos a serviço da comunidade. Durante muitos anos, ofereceu aulas gratuitas de línguas estrangeiras em um curso noturno aberto ao público, ministrado no próprio Instituto Francisco de Assis. Ali ensinava Alemão, Italiano, Francês, Espanhol e Inglês, democratizando o acesso ao saber. Era uma verdadeira repartidora de ideias, incentivando o pensamento crítico e a autonomia intelectual. Religiosa, educadora, mulher do povo, ativista ambiental e cultural, Suely foi também uma semeadora de resistências e persistências. Sua atuação ultrapassava os muros da escola e alcançava a consciência social.

 

Profª Suely Trimbos faleceu em 3 de fevereiro de 2016, em Teixeira de Freitas, cidade que escolheu como pátria definitiva. Conforme sua vontade, foi sepultada em solo brasileiro, símbolo do amor que nutria por esta terra e por seu povo. Deixou um vasto legado cultural, além de um expressivo acervo de obras com os mais variados títulos e interesses. Sua memória permanece viva nas instituições que ajudou a construir e nas vidas que tocou. Mais do que uma educadora, foi uma líder moral e espiritual. Seu nome permanece associado à educação libertadora, à justiça social e ao compromisso humano. A história do extremo sul da Bahia guarda, com gratidão, a sua luz.

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